terça-feira, 15 de abril de 2008

"Agora, o que vejo no espelho é o traçado longo dos caminhos por onde andei e as marcas (tantas) do amor que imaginei e que não sendo, doeu e ainda dói. Como dói esse amor inventado quando a mais profunda solidão se muda da alma para a pele, para os dedos, para os olhos... Nada distrai o lamento pelo que julguei ser amor e foi apenas uma senda onde me perdi por entre espinhos e poucas flores. Trago as cicatrizes no corpo e, na alma, as dores. Agora, vivo na semiluz dos solitários, conversando com o espelho e esta face estranha que me impede de esquecer os sonhos." (Clarice Lispector)

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